Tudo mudou. Eu não estava habituada a sofrer. A ter preocupações, das quais não conseguia ultrapassar sozinha. Daquelas em que precisamos do mundo. Do nosso mundo. Dos nossos amigos e família e as vezes mesmo de estranhos. Problemas complicados, que me afectaram directamente por acontecerem a pessoas que amo. E nao so. Problemas que me aconteceram a mim e que achei que nao conseguiria resolver. Neste ano perdi muito, mas ganhei muito mais. Cresci. Percebi que a vida era demasiadamente curta. Fiz com que a minha existência tivesse sentido para mim. Porque ao ter para mim, poderia ter para mais alguém.Ao longo dos anos ganhei forças para superar todos os problemas que me apareceram neste. Tive força, ajuda e acreditei que um dia tudo poderia ser melhor. Que um dia voltaria a ser tão feliz. Que tudo voltaria ao normal. Percebi o que é sofrer com medo de perder para sempre alguém que amo. Percebi que afinal a união faz a força e que a fé faz milagres. Que um dia recolhemos tudo o que semeamos. Que nem sempre tudo está perdido, que todos têm força para enfrentar os problemas, e que é essa força que faz os sonhos serem tornados realidade. Uma criança so quer crescer feliz no seu mundo. Não quer ter medo, e não quer desapontar. Faz tudo para superar as expectativas que todos têm dela. Nada do que ela fez foi isso. Mas acha que sim. Foram dias horríveis. De profundo sofrimento, dor e angustia. Algo que não quer reviver. Não agora. Como eu. Não enquanto não me preparar. Não enquanto esta dor não passar. Dor de ter medo de perder. De ser vencido por algo que nos transcede. Por algo pelo qual não somos capazes de fazer nada. Apenas rezar e acreditar que tudo se irá resolver. Que todo o mal tem um fim. E que unidos conseguiremos sair impunes. Mas não faz mal ter medo. Todos temos medo. É normal e perfeitamente aceitável. Cresci muito ao sofrer. Ao não ser capaz de dizer não. Ao querer e não querer. Às minhas grandes indecisões, que todos criticam. Arrependo-me de muita coisa que deveria ter feito, que poderia ter feito e não fiz. Sou fraca? Talvez sim. Talvez não. Um dia saberei. Quando voltar a considerar-me feliz. Quando tiver o que mais quero, sem me dar por ser o que mais querem. Não o farei mais. Não à ingenuidade. Não ao medo de sermos quem somos. Quero amar. Com todas as forças que há dentro de mim. Que se escondem sempre que hesito por ter medo. Sempre que hesito com medo de fazer ainda pior. Não vou ser fraca, nunca mais. E não serei como todas as outras pessoas só para agradar. Serei eu.
Vanessa Martins
quinta-feira, 9 de abril de 2009
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